o lado escuro da vida
há muitos e muitos anos, corria à boca pequena uma lenda urbana sobre um colírio chamado “Ciclopérgico” (ou algo assim) que, se pingado no nariz, provocava reações, hãã, deixava o fulano muito louco, é isso. pois me comoveu deveras a nebulosa vida do viciado.
imagine, minha gente, o indivíduo chegando sorrateiramente, na calada da noite, numa farmácia para comprar o famigerado alucinógeno, tentando disfarçar, mas olhando nervosamente para todos os lados, como se estivesse sendo perseguido. pede o medicamento ao farmacêutico que se nega a vendê-lo na ausência de uma receita médica. ele pede, implora, fala que está com conjuntivite crônica, mostra os olhos vermelhos, nos quais acabara de pingar, na esquina, as últimas gotas da pinga barata com limão taiti, comprada no boteco de bilhar justamente para este fim.
não atendido, desesperado, o pobrezinho se embarafusta por vielas escuras, sujas e cheirando a urina atrás de algum traficante que possa aliviar o seu sofrimento.
vez ou outra chama seus amigos viciados para uma noitada nasalar, e seguem, por toda noite, puxando ranho com colírio e vendo seres elementais em poças d’água.
mal sabe que, logo mais, será ludibriado por um trafi sem coração que, dizendo ter o canal, o enganará vergonhosamente e o pobre seguirá, por toda a vida, carregando a sina da droga e a alcunha de “Maluco Moura Brasil”.
a família desesperada irá, logo depois, interná-lo em uma clínica de recuperação de drogados, onde fará uma desintoxicação com Rinosoro e soro fisiológico.
triste destino, meu deus, triste destino…

lenda urbana?
presenciei meu primo vendo duendes.
a coisa funciona mesmo.
e tem o bentil, que é de tomar.