intervalo.
por Marpessa de Castro
[Hoje, nas dobras das horas, mais um daqueles dias em que se houve jazz e dá vontades de dominar o mundo, as letras, escrever até os dedos incharem e caírem, produzir absurdos, encher a cara de esperanças verdinhas em botão, caminhar dentro de livros e músicas, comer flores roxas, that’s allright mamma, estar dentro de outra pessoa, morar num abismo, cavalgar nuvenzinhas desfeitas, pedaços de trapo colorido, cansar de chorar e de rir, sentir cheiros fortes e doces, cinema e pipoca com guaraná, chuva na cabeça, vento nas janelas, correr pelo mato, fugir e se perder, esquecer o nome, o dia, o tempo, cortinas azuis de manhã, escrever escrever escrever escrever automaticamente, ranger dentes, suar pérolas, rasgar papéis... Sonhar mais um pouquinho com o livro maravilhoso que escrevi outra noite dessas (um capítulo inteiro, tão bom estava ficando! – falava de um grupo de jovens, e eles se comunicavam por metáforas que aconteciam concretamente). Tanto a fazer. Nas dobras. Dos minutos. Calar, sentir, descansar. Repouso, percepção. Pensamentinhos bobos. Luz de velas. Suco de caju. Um cigarro bem quietinho.]
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serviço de utilidade pública extra-ordinária
com a humanitária finalidade de resgate da cidadania e das boas relações sociais, este garboso informativo solicita a presença de:
- casalzinho que namorava na altura do no. 32 da Rua Lara no último sábado, dia 07, por volta de 1 da tarde; ela, vestindo calça jeans rasgada com estilete e desfiada com extremo exagero e mal-gosto, camiseta da Avril Lavigne e rabo de cavalo. Ele, calça de helanca preta, tênis branco com língua borrachuda por cima da “fusô” e camisa xadrez em tons de terra. Ao que ele fumava indiferente, ela chorava, pendurada ao seu pescoço, enquanto tocava ao fundo (em péssima qualidade de som) Patience, do Guns n´Roses.
os supra citados têm o prazo de 3 (três) dias úteis para comparecer à sede do Balaco portando documentos de identificação a fim de prestar esclarecimentos sobre o mal uso do retrô.

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